Archive for the ‘Vídeos’ Category

Where the hell is Matt?

janeiro 20, 2009

O que a humanidade tem em comum?

A vontade de brincar?

Quase dois irmãos

junho 12, 2008

Quase dois irmãos é um fantástico filme que eu assisti sem muito compromisso em um fim de semana. Trata-se de um filme nacional de 2004 que, pelo menos para mim, passou despercebido em seu lançamento. Não me lembro de ter ouvido um único comentário sequer sobre ele.
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Eis a sinopse do seu site oficial:
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Nos anos 70, quando o país vivia sob a ditadura militar, muitos presos políticos foram levados para a Penitenciária da Ilha Grande, na costa do Rio de Janeiro. Da mesma forma como os políticos, assaltantes de bancos também estavam submetidos à Lei de Segurança Nacional. Ambos cumpriam pena na mesma galeria. O encontro entre esses dois mundos é parte importante da história da violência que o País enfrenta hoje. “Quase Dois Irmãos” mostra como essa relação se desenvolveu e o conflito estabelecido entre eles. Entre o conflito e o aprendizado, nasceu o Comando Vermelho, que mais tarde passou a dominar o tráfico de drogas.
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Através de dois personagens, Miguel, um jovem intelectual de classe média, preso político na Ilha Grand, e hoje deputado federal e Jorge, filho de um sambista que de pequenos assaltos se transformou num dos líderes do Comando Vermelho, o filme tem como pano de fundo a história política do Brasil nos últimos 50 anos, contada também através da música popular, o ponto de ligação entre esses dois mundos. Hoje, começa um novo ciclo: Miguel tem uma filha adolescente, que fascinada pelas favelas e pela transgressão, se envolve com um jovem traficante. [fim de sinopse]
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O ponto do filme que trago para discussão é a atribulada relação entre a classe média engajada (então chamada de pequena burguesia) e a classe popular, o povão, a massa. Adeptos políticos do socialismo revolucionário, um grupo de jovens militantes presos são postos em contato com presos comuns e tentam pôr em prática a teoria marxista da superação da consciência em-si para uma mais elevada, a para-si, ou seja, da alienação para uma consciência da condição de exploração pela burguesia. Assim, na visão desta elite revolucionária (uso propositalmente elite ao invés de vanguarda), era preciso educar a massa, mesmo a delinqüente. Quando os primeiros presos comuns chegam à prisão política, os revolucionários marxistas eram majoritários. Foram abordados pelos comuns: “quem é o xerife dessa porra?”. Ao que responderam: “aqui não tem isso, não; só não pode pederastia e dar um dois (fumar maconha)”. Evidentemente, as regras moralizantes da esquerda ortodoxa eram burladas frequentemente. Com o passar do tempo, a política nacional foi se abrandando e a situação social oriunda da ditadura se agravando, o que reduziu o número de prisões políticas e ampliou o número de prisões comuns (de negros da periferia). O resultado é que a periferia é que passou a mandar no presídio. A cadeia passou a ser igual a qualquer outra, com baseado, homossexualidade, grupos inimigos, privilégios, “xerifes”, violência e linchamentos. Nesse contexto, trava-se a discussão – seria melhor dizer assembléia, conforme o vocabulário da esquerda da época – entre os que são favoráveis à separação entre presos comuns e políticos e os que se mantém firmes na idéia de “educar a massa”. O argumento racional dos defensores da separação é que eles são minoria dentro da prisão e precisam sobreviver para o bem da revolução, uma vez que há poucos revolucionários devido à repressão. Os realistas vencem o debate sobre os idealistas. No entanto, e esta é a grande sacada do filme, a verdadeira razão da separação dos presos em duas alas, a dos comuns, para negros da periferia, e a dos políticos, de classe média, é a própria incompatibilidade entre as duas formas de ser e estar no mundo. O discurso da educação das massas pode ser atraente, mas em condições extremas, como a de um presídio com todas as suas crueldades e adversidades, ele se mostra artificial. Assim, a construção do muro de concreto separando os dois pavilhões é, na verdade, uma metáfora para o muro social que já separava os dois estratos sociais. E a película encerra-se com uma frase de efeito: “um é o mundo que sonhamos, outro é o que vivemos”.

O coelhinho de Donnie Darko

maio 28, 2008

Há certos assuntos que não devem ser escritos. Apenas discutidos oralmente. Um destes é o filme Donnie Darko, o qual gera discussões maravilhosas, mas dificilmente organizáveis em um texto coerente. O próprio filme brinca com a incoerência, da forma leve que apenas o recurso audiovisual – nas mãos de um bom diretor – permite.

Donnie Darko é um filme que brinca com diversas dimensões existenciais e filosóficas através das imagens do conservadorismo moral de uma pequena cidade do interior norte-americano, do garoto inteligente e psicologicamente problemático que está à frente dos seus contemporâneos, da questão da responsabilidade e do arrependimento, bem como da própria questão da relação do ser humano com o tempo.

Sinopse do filme dirigido por Richard Kelly: Donnie (Jake Gyllenhaal) é um jovem brilhante e excêntrico, que cursa o colegial, mas despreza a grande maioria dos seus colegas de escola. Donnie tem visões, em especial de um coelho monstruoso o qual apenas ele consegue ver, que o encorajam a realizar brincadeiras destrutivas e humilhantes com quem o cerca. Até que um dia uma de suas visões o atrai para fora de casa e lhe diz que o mundo acabará dentro de um mês. Donnie inicialmente não acredita na profecia, mas momentos depois a turbina de um avião cai bem no telhado de sua casa, quase matando-o. É quando ele começa a se perguntar qual o fundo de verdade na previsão do fim do planeta. [fim de sinopse]

A trama incita a partir do momento em que brinca com o tempo, costurando um paradoxo da predestinação. Donnie estava predestinado a morrer, mas devido a um de seus ataques de sonambulismo levanta-se da cama e acorda em um campo de golfe. Ao voltar para casa, descobre que uma turbina de avião caiu sobre o seu quarto, atingindo sua cama. O mistério: nenhuma empresa de aviação reinvidicou o artefato e não há registros de acidentes aéreos. Em suma, ninguém sabe de onde veio a turbina. [pano breve] Durante a trama, Donnie se interessa pelo tema da viagem no tempo. De alguma forma, esse interesse está ligado à sua predestinação. Devido à sua sobrevivência do acidente, ele acaba conhecendo uma garota por quem se apaixona. E ela acaba morrendo em um acidente do qual Donnie foi uma das causas. Como reverter a morte de sua amada? Talvez morrendo no acidente do qual ele não deveria ter sobrevivido…

O filme apresenta diversas discussões que tangenciam o tema principal sem serem menos profundas. E, por fim, saímos dele com a dúvida: seria melhor revertermos as coisas das quais nos arrepedemos ou as quais nos fazem sofrer ou é melhor lidar com a vida como ela é, seguindo o que canta o Humberto Gessinger em Surfando Karmas & DNA: “se eu soubesse antes o que sei agora, erraria tudo exatamente igual”? Sim, pois, de fato, se alterássemos uma gota acabaríamos por alterar um oceano. Nesse sentido, Donnie Darko dialoga com Efeito Borboleta. Além do mais, valeria a pena abrir mão dos momentos únicos que experienciamos, com suas dores e alegrias, por outros, igualmente submetidos à condição existencial humana?

O Wikipedia, em inglês, traz informações esclarecedoras sobre os mistérios do filme, o qual deve ser assistido várias vezes. Eu assisti duas.

Aqui se pode assistir o clipe, com cenas do filme, da belíssima música de Gary Jules e Michael Andrews, Mad World, com legenda em português. Aqui, o clipe original (fantástico!). E aqui o trailer (em inglês).

Quando a política empolga

maio 8, 2008

Muito bom perceber que, a despeito de sua crise de representação, a política institucional ainda pode nos dar alguns momentos de satisfação.

O senador José Agripino Maia (DEM) provocou de forma leviana e recebeu uma belíssima resposta da ministra Dilma Roussef. Vale a pena ver e ouvir várias vezes.

O planeta Terra, esta coisa que só é bonita de longe

abril 17, 2008

Imagens da missão lunar Kaguya, da Jaxa, agência espacial japonesa

Saibam!

março 30, 2008
Fico impressionado com o Arnaldo Antunes. Como uma das piores vozes do Brasil pode ser tão maravilhoso músico-poeta, inclusive cantando?
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Na música Saiba, ele aborda a condição humana de forma inteligente, profunda e extremamente simples. As rimas diretas exibem a igualdade inata de indivíduos tão díspares entre si como Nietzsche, Simone de Beauvoir e Fernandinho Beira-Mar, o que não os impedem de construirem trajetórias que os distanciem durante suas existências singulares – abstraindo-se, claro, o anacronismo proposital do autor. No entanto, a dignidade – tão orgulhosamente defendida pelos que supostamente a detém nos meios mais elevados da sociedade – é extremamente efêmera. “Saiba: todo mundo vai morrer!” No fim das contas, podemos pensar naquilo que Schopenhauer chamava de “angústia”: a criança que fomos, o medo que sentimos, aquilo que nos tornamos – a máscara que gruda na cara – sem ter total controle ou mesmo consciência. Sim, “todo mundo foi neném”. E o que a sociedade fez de nós? Ou, pensando como Sartre, o que fizemos de nós mesmos? “Eu e você”. Oh, Maggie, what have we done? – como cantava o Pink Floyd…
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Aqui vocês podem ler a letra da música poesia.

Nietzsche está morto

março 30, 2008
Esse vídeo é um clássico. Superprodução brasileira muito bem cotada no YouTube. Tive a honra de ser co-produtor, co-diretor, figurinista e ator. Sou aquele com a camisa do Vasco. O vídeo aborda temas filosóficos de forma fantástica. Imperdível!

A grande ilusão

março 18, 2008
Assisti um bom filme no fim de semana que passou. Trata-se do “A grande ilusão” (All the king’s men, no original), contracenado por Sean Penn, Jude Law, Kate Winslet e Anthony Hopkins, dentre outros.
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Em um tempo de totalitarismo neoliberal, cujas consequências, para Chico de Oliveira, são “a privatização do público, a destituição da fala e a anulação da política”, este filme vem na contramão e coloca a política em primeiro plano de forma primorosa. Talvez por isso tenha sido um “commercial failure, despite its strong cast, direction, and production team. Few critics endorsed it”. Leia mais aqui. Mostra a trajetória de um homem simples – um camponês – no sul subdesenvolvido dos EUA, na década de 30, desde sua iniciação na política, como um candidato laranja sem o saber, passando por seus discursos sinceros, duros e comoventes que mobilizaram a população até sua vitória e gestão, na qual é obrigado a lidar com “todos os homens do rei”, o que irá desembocar na “grande ilusão”. Nesse sentido, os títulos em português e no original são bem válidos.
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A questão que fica é: até que ponto pode um único homem com um ótimo programa político e amplo apoio popular ser bem sucedido em seus intentos sem uma base institucional sólida, ou seja, os apoios políticos e de parte das elites necessários  para a obtenção do que se convencionou, não sem viés ideológico, chamar de “governabilidade”? E o que fazer quando essa base institucional defende ferrenhamente o status quo? São os grandes dilemas da política ainda hoje, o que se pode verificar na conjuntura da América Latina. Parece que certo mesmo estava Montesquieu, quando dizia que um povo só pode ter o melhor governo que é capaz de suportar.
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A história do filme foi adaptada do livro All the king’s men, de Robert Penn Warren, que, por sua vez, é baseado na história de Huey Long.
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Assistam o trailer.

Já que estão falando em guerra…

março 6, 2008

Já que estão falando em guerra (aqui e depois aqui), este vídeo é para não dizerem que não falei de flores.

Uma magnífica interpretação em capela de Sinead O’Connor de uma canção de Bob Marley.
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Aqui você vê a letra da música. E aqui a tradução.

Normal na loucura real

março 4, 2008
Raul Seixas já criticava a mania de ser normal na loucura real. Traduzindo em números essa loucura: o Brasil possui em circulação 200 milhões de cartões para uma população de 180 milhões de pessoas! Alguns cálculos estimam que há uma média de uma compra a cada 8 segundos… Esses dados me lembraram o Koyaanisqatsi – fantástico vídeo sobre a loucura da vida pós-moderna.

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