Archive for the ‘Nada demais’ Category

Os números de 2011

dezembro 31, 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 17.000 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, eram precisos 6 concertos egostados para sentar essas pessoas todas.

Clique aqui para ver o relatório completo

De volta ao interior

junho 29, 2009

Odeio todas as datas comemorativas brasileiras. Natal, São João, Carnaval, Independência, Dia de Finados! Quando andava unknown like a Rolling Stone without a home (estou ouvindo Dylan neste exato instante) me refugiava na auto-solidão (creiam-me: auto-solidão é diferente de solidão): ficava em meu quarto lendo, assistindo filmes, postando no blog (na época em que este blog chegou a ter posts diários). Comprava uma cerveja e uma carteira de LA. Pronto. Este era meu feriadão. Adorava.

Mas como para ter a síndrome de Peter Pan é preciso ter dinheiro (ex: Michael Jackson e sua Neverland) ou não ter cérebro, acabei crescendo, como mamãe queria. Arrumei um emprego e sou um dito cidadão respeitável (ouvi Raul [toca Rauuuuuuul!] há pouco). Claro que o emprego é uma miséria, tanto em conteúdo como em remuneração. Sou professor universitário e como Chico Anísio já dizia, deu sorte quem fugiu dessa sina, ainda que virando puta.

Fato é que com um pouco de grana no bolso desta vez rumei ao interior, mas não no sentido das micro cidades que se sustentam com o Fundo de Participação dos Municípios, aposentadorias e festas ocasionais que servem para o povo da capital respirar ares bucólicos de quando em vez e dizer – gosto de festa de raiz! Não. Fui para Itabuna, minha cidade natal. A típica cidade que sofre a maldição das cidades médias – nem é pequena o suficiente para apresentar ar bucólico, nem grande o suficiente para prover as possibilidades da modernização e uma mentalidade urbana.

O resultado é que como sociólogo (este olhar que me acompanha diuturnamente) e sem ter nada melhor para fazer, fiquei a prestar atenção nos comportamentos da juventude local. A falta de perspectiva paira no ar. E tenho reparado na seguinte coincidência: onde falta perspectiva, abunda o sexo. Ou seja, na falta do que fazer, resta à juventude transar. Buscar o sexo é a meta maior da juventude de uma cidade média. Não estou a falar aqui das micro cidades, onde não raro ainda reinam normas de sociedades patriarcais, com forte machismo tradicional e iniciação sexual precoce, às vezes acompanhada de gravidez indesejada à qual se somam os comentários e olhares da comunidade em um misto de desdém e inveja (afinal a gravidez não planejada representa o pecado e simultaneamente a entrada forçada na vida adulta). Mas nas cidades médias, como Itabuna, a coisa é mais complexa. A cidade tem uma vida noturna agitada e já existe o anonimato (o que impede o controle direto da comunidade). Os jovens vão para a night com a indumentária de marca (roupas sem marca são um passo para a exclusão ou ao menos olhares enviesados). Um carro ajuda muito, pois homens e mulheres literalmente desfilam de automóvel ou de moto. Mas simultaneamente a esses rituais mercadológicos, verifica-se contraditoriamente um gap de intermediações simbólicas tão presentes em cidades maiores (as capitais e metrópoles). Assim, uma vez com o porte dos artefatos materiais (roupas, carro, celular), o caminho para a conquista de um par para a noite é muito fácil. Um olhar desconcertante. Um chamado para o canto. Umas palavras no pé de ouvido. Um beijo. Uma carona. Um motel. É impressionante como o caminho é direto…

Cheguei à conclusão de que Itabuna, apesar de interiorana e atrasada, apresenta uma cultura e um modus vivendi mais diretamente materialista do que a própria Salvador. Na capital, onde reina o capital, como diz o trocadilho, este capital circula de modo mais complexo e através de caminhos tortuosos. Para azarar alguém há sempre o atalho de uma noitada na boate ou um forrozinho coladinho (esse truque é tão velho quanto o “é só a cabecinha”). Mas ainda é mais difícil dar o passo seguinte e ir direto ao motel em Salvador do que em uma cidade média (nas micro cidades, na ausência de motel, há sempre aquele galpão abandonado). O capital da capital gosta de fazer um doce – a luxúria . O do interior gosta de ser consumido voluptuosamente.

Enfim, se pode entender porque as pessoas da capital migram sazonalmente para o interior. Ganham dinheiro onde as oportunidades são mais abundantes e gastam onde o sexo está a flor da pele. Freud explica.