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La huelga de policías y el tema de la inequidad en Brasil

fevereiro 10, 2012

Clique aqui para ler o texto sobre a greve da polícia na Bahia, que inaugura minha coluna quinzenal na AmericaEconomia.com. [em espanhol]

 

Foto: Felippe Ramos (com a câmera de uma amiga)

Necessários adendos prévios ao artigo futuro sobre greve da PM na Bahia

fevereiro 9, 2012

Amanhã será publicado um artigo meu no qual analiso a greve da PM na Bahia. Mas o grampo das conversas de Marco Prisco, da ASPRA, divulgadas no Jornal Nacional e a iminente invasão da Assembléia por tropas do Exército me empurra a tecer adendos ao artigo que sequer saiu. O tempo da internet é esse mesmo – o instante. Portanto, faço 4 adendos prévios ao artigo futuro.

1 – A virada conservadora do PT e suas coalizões (partidárias e econômicas) levaram a perda de espaço do partido na liderança de diversas lutas sociais que não foram cooptadas por preenchimento de cargos públicos comissionados. Boaventura Sousa Santos já adverte que “a maior tragédia da esquerda no século XX foi ter transformado militantes em funcionários”. Logo, o vácuo deixado na luta social tem sido preenchido de forma pulverizada por forças sociais as mais distintas, inclusive da direita mais tradicional, alijada do poder pela ascensão do PT. Obviamente, fosse Prisco filiado ao PT a luta dos PMs estaria impossibilitada em prol de acordos de cúpulas.

2 – Em uma democracia, ser filiado a um partido político específico não é argumento suficiente para fazer julgamentos de valor sobre quem quer que seja. É preciso discutir o programa dos partidos e as conjunturas nacionais e locais. Prisco é do PSDB, porque o PT na Bahia atualmente ocupa o poder. Fosse Prisco meramente oportunista, seria mais lógico estar do lado de quem está no poder e poderia facilmente recompensá-lo com as regalias dos gabinetes de tapete persa. Prisco é do PSDB porque em 1992 e em 2001 o PT defendia a greve e os policiais e hoje faz comitiva de deputados e jabá na Globo contra o movimento sindical. Na política, não existe vácuo de poder. Se o PT sai dos movimentos sociais para se aconchegar nas poltronas de Sarney e Kassab, o PSDB entra nos movimentos sociais. Quando o PSDB entrar no poder novamente (se acontecer e espero que não), o PT (digo, sua cúpula) voltará a procurar os movimentos sociais. Já disse o Luiz Carlos Azenha: “o PT vence as eleições com os movimentos sociais e governa com o PMDB”. Essa postura de uso instrumental dos movimentos sociais para a formação de gabinetes cujas políticas públicas não respondem as demandas dos movimentos têm levado à uma esquizofrenia política no país.

3 – Por sua formação militar e despreparo cidadão, parte dos PMs cometem equívocos (e quiçá crimes) na condução da greve. O sociólogo Bourdieu explicava seu conceito de habitus: “para ser o que se deve ser, basta ser o que se é”. Os PMs simplesmente fazem uso de sua truculência habitual em um momento de greve. A sociedade os treina para matar e vocês queriam que eles fizessem greves como os juízes e médicos fazem? É necessário discutir a desmilitarização e federalização da atividade policial, que pode muito bem ser civil.

4 – A articulação sindical nacional em defesa da PEC 300, em si, não pode ser usada como argumento depreciador ao movimento. Tal movimento, ainda que sob a truculência ensinada aos PMs, combate a pulverização das polícias, criadas como guardas pretorianas de coronéis estaduais. Afirmar que a luta por um PISO salarial para uma categoria é criminosa ou golpista é um absurdo. Imoral é a discussão de TETO salarial para parlamentares e juízes que recebem salários afortunados para viver com privilégios, em conforto e sem perigo.

Espero que, em caso de invasão, a PM não reaja. O governo do estado não podia tolerar a ameaça à indústria do carnaval. O governo federal não podia tolerar a ameaça da eclosão de um movimento nacional pela PEC 300 e que simultaneamente criasse uma onda de insegurança no país prestes a sediar a Rio+20 e eventos desportivos internacionais. Prisco, com toda sua truculência, já começou a luta derrotado por aqueles que, com as boas maneiras de lord, contratam quem lhes faça o serviço sujo. E ojalá possamos encontrar o caminho da discussão profunda sobre uma segurança pública necessária para nosso país – que, pelo visto, deverá acontecer a despeito do PT e do PSDB.