Sociologia à golpes de martelo

NOTA DO BLOGUEIRO: Por um erro, ao selecionar a licenca Creative Commons, acabei por tornar o video privado, o que impediu as visualizacoes ate o momento (sabado, 11 de junho, 16h). O bom de tudo isso foi que o bug serviu como golpe de marketing. Recebi milhares de emails dos quatro cantos do mundo reclamando da propaganda enganosa, do ato de autoritarismo, etc. A juventude australiana ja estava organizando o “Release the video movement” pelo Facebook e Julian Assange ameacou soltar no Wikileaks neste domingo, em acordo com o El Pais. A resolucao do bug, ao clicar em um botao do painel do Youtube, abortou todas as animosidades. Mas somente a Associacao dos Padeiros Autonomos de Sao Borja lancou uma nota para desculpar-se das criticas acidas realizadas de forma desproporcional e descabida. Valeu, Sao Borja! [fim de nota]

Hoje inauguro mais uma tentativa na eterna busca por aprimorar a comunicação com meus leitores, amigos, críticos, companheiros e, quiçá, novos ouvidos (e olhos) que passarão por este blog. Trata-se da seção VODCAST, afinal, este blog, Tempos Pós-Modernos, tinha que ter algo de pós-moderno. Nada mais pós-moderno do que um professor que troca a escrita por vídeos descontraídos (e polêmicos), que com certeza gerarão tanto risadas quanto o mais profundo asco. A idéia é gravar conversas de bar comigo mesmo da forma mais natural possível. Vocês estão simplesmente acessando os meus pensamentos, da forma desorganizada e contraditória como são os pensamentos – isto é, livres. Sempre que quiser evitar mal-entendidos, farei posts escritos, revisados, acadêmicos, assépticos. Quando entender que é momento de ver o circo pegar fogo, recuperando Nietzsche para criar uma sociologia à golpes de martelo, recorrerei ao vodcast.

O primeiro vídeo (versão completamente beta) não poderia deixar de ser uma versão precária, com baixa qualidade de imagem e som (a fim de facilitar upload para Youtube) e sem qualquer edição. Caso a iniciativa agrade (ou desagrade) o público, enfim, tenha repercussão, a idéia é haver certa profissionalização, ainda que primária, dos vídeos, com recursos a moviemakers e maior qualidade de gravação. Portanto, comentários são bem vindos. Não há qualquer tipo de censura neste blog, exceto à reservada a cada indivíduo, incluindo o blogueiro que vos fala (escreve), de poder ignorar, cuspir no vaso sanitário ou coçar o suvaco. Reações humanas à parte, o debate pode – e deve – rolar solto.

O primeiro vodcast, “Festa da Xoxota Louca e a esquerda hegeliana pós-moderna”, aborda os limites e impactos da discussão moral do politicamente correto, a partir da mudança de nome de uma festa a ser produzida por um centro acadêmico devido a repercussões críticas ao nome proposto, homônimo de uma festa popular no interior do Maranhão. Eis no que deu abaixo.

9 Respostas to “Sociologia à golpes de martelo”

  1. ramon Says:

    cadê o video rpz? está extramente privado…. libere-o

  2. laura Says:

    libera!

  3. Fabi Says:

    Ops, “este vídeo é privado”!!!

  4. Morjane Says:

    Mt jóia!!!!! E cada vez vc vai ficar mais solto!!!!
    LiBeRaAa

  5. Octávio Says:

    Boa noite Felippe.
    Sou integrante do DA de Arquitetura que promoveu a festa da “Xoxota Louca”. Eu concordo com você em quase tudo, e acho importante essa sua reflexão para nossa autocrítica. Não posso concordar com tudo porque sempre há mais (ou menos) em uma história do que os jornais publicam. Creio que agora o que me resta fazer é culpar a pós-modernidade pra poder dormir em paz.
    Abraço.

  6. Felippe Ramos Says:

    Valeu, Octavio. Muito bom saber que alcancei os atores do fato. Mande abraços para seus colegas de DA!

  7. André Guimarães Says:

    Caro, Felippe, muito boa a discussão! Você chega a pontos muito interessantes. Algumas considerações, com o perdão de algumas palavras, mas não resisto em agredir o politicamnete correto:
    1. Politicamente correto de cu é rola: essa história de politicamnete correto só serve para mascarar o preconceito, que ainda é muito presente em todas as esferas e inclusive entre alguns ditos progressistas. Depois que o Estado começou a criar leis e mecanismos para assegurar os direitos civis das minorias, surgiu o politicamente correto, para os hipócritas encobrirem seus preconceitos, ainda impondo de forma velada limites à expressão das identidades. Acho que você deve concordar, né?
    2. Talvez a festa da Xoxota Louca no Maranhão, seja exatamente a expressão da identidade daquele grupo, onde não se tem o conceito de machismo, onde, falando em grosso modo, homens e mulhres sentem-se muito felizes em participar da festa e as mulheres ficam ansiosas em serem eleitas a Rainha da Xoxota Louca. Questão cultural, onde existem valores internos que devem ser respeitados e não julgados. O fato é que no fundo, a tal classe média intectualizada e “progressista” e muitas vezes peseudointelectualizada sente alguma inveja dessa expontaneidade… e por isso vez ou outra tenta reproduzí-la. Sente inveja dessa disposição para se expressar que tem no pagodão o funk, e das festas como a Xoxota Louca. Vide algumas festinhas privadas ou não de que participa essa classe média, onde o politicamente correto impede o rótulo, mas onde rola todo o clima da Xoxota Louca, e a rainha é eleita nas rodas de amigos, dentro do politicamente correto.
    3.Nesse caso eu prefiriria dez Bolsonaros a um politicamente correto. Pelo menos eu saberia com quem estou lidando.
    4. Sim. Acredito que o comportamento do povão não deva ser discutido, mas deva-se levar a oportunidade e os instrumentos que possibilitem a ressignificação dos seus valores e o seu desenvolvimento autônomo. Chega dos intelectuais quererem formular as soluções para o povo. Eles mesmos estando instrumentalizados e empoderados podem desenvolver seus potenciais e criarem suas p´roprias soluções de forma autônoma. Já leu sobre o conceito de intelectual específico de Foucault? Infelizmente a Psicologia Social Comunitária no Brasil só serve para entrar numa comunidade e tratar o povão como cobaias para as suas pesquisas. Nada parecido com o que Martin-Baró começou a fazer em El Salvador antes de ser assassinado.

    Bom… É basicamente isso. Parabéns! Abraço!

  8. Tiago Lorenzo Says:

    Phellyppë,

    Você falou de muita coisa ao mesmo tempo, e se você ficou com preguiça de escrever, imagine eu de comentar. Isso teria que ser feito realmente na mesa de bar. Que é onde encontramos sempre a solução do mundo. Pena que depois esqueçemos por causa da cerveja.

    Nos meus breves estudos sobre sociologia da cultura vi o mesmo fenômeno interpretativo sobre “cultura popular”. Ou ela é, de um lado, totalmente mistificada, folclorizada, enaltecida, ou é, por outro, menosprezada, subvalorizada, atacada.
    São poucos os trabalhos que tem o valor de encarar a “cultura popular” como “cultura” e pronto.

    Agora outra coisa: eu acho ótimo que haja um movimento de combate moral a declarações que menosprezem minorias. Acho mesmo. Sou contra a censura legal de qualquer declaração, mas não à censura moral.
    Não é sempre que eu concordo com a necessidade de repulsa moral (como nesse caso da xoxota louca) mas isso são outros quinhentos.

    Sobre o tal machismo a ser combatido no nome da festa: eu tenho a mesma opinião que você. A primeira coisa que eu diria é: Coloca o nome da festa “Xoxota e Pica Loucas”.
    Tem uma parcela de interpretação feminista que eu julgo fazer confusão sobre o “locus” do machismo. Para tentar ser sucinto numa discussão que caberia mais linhas:

    O problema não é que as mulheres desfilem para o prazer e deleite dos homens (como se ela não extraísse prazer disso também, aliás). O problema é que as mulheres SÓ podem ocupar esse papel. Os homens não desfilam para o deleite das mulheres (ou de quem quer que sinta tesão por homens). Se desfilam, as mulheres que gostam, aproveitam e se deleteiam serão massacradas moralmente. Chamadas de “galinhas”, piranhas, etc.
    Não acho então que a maneira de enfrentar o problema seja retirar a xoxota, mas incluir a pica. (Lá ele!) Incluir as mulheres como consumidoras de prazer, ativas, empoderadas. Mulheres que “comam”, “peguem”, sem serem menosprezadas moralmente por isso.

    O discurso que retira a xoxota, pra mim, está embebido com uma noção (muito machista aliás) de repúdio ao sexo pelo sexo. Careta pra caralho.

    Porra, eu disse que não ia escrever e acabei escrevendo. Maiores detalhes e aprofundamentos, só na mesa do bar.

  9. Larissa Rios Says:

    Fiquei até com saudade de sentar no bar e conversar com você! Muito bom, apesar de ser muita informação em pouco tempo e sem a oportunidade de poder fazer parênteses. Enfim… daria uma excelente conversa, mas como você beeeem colocou: dá preguiça de escrever tudo. Pra resumir: muito bom!
    Beeeijo

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