Guerra nas bancas

A Veja, enquanto porta-voz oficial do neoliberalismo e do capital especulativo, teve que fazer um exercício de contorcionismo ideológico para manter-se alinhada às diretrizes de Washington. Ora, bem sabemos que qualquer neoliberal que se preza defende incondicionalmente o mercado livre, as privatizações (supostamente o Estado é ineficiente por natureza) e a não-ingerência do Estado em assuntos econômicos. O superpacote de US$ 850 bilhões (70% do PIB brasileiro!), um presentinho do governo dos Estados Unidos aos banqueiros, contraria a própria lógica básica do neoliberalismo, exportado para os países da periferia do capitalismo sob as pressões do FMI e do Banco Mundial (dentre eles o Brasil, com grande ajuda de entrepostos locais, como os presidentes Collor e FHC). Mas a Veja acaba caindo na sua própria armadilha ao colocar o Estado como o Salvador do mundo. Adam Smith e sua mão invisível se revirariam no túmulo. Afinal, sem o Estado, o mercado funcionaria? A Veja tem que se decidir! A CartaCapital, como de costume, demonstra maior lucidez. E os Estados Unidos são agora, junto com a China, a maior economia de Estado do mundo…

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2 Respostas to “Guerra nas bancas”

  1. Caio Says:

    A capa da edição de Veja ficou antipática. quase ofensiva, como se mostrasse o Governo dos Estados Unidos como herói e advertindo a todos nós na expressão rígida de Uncle Sam. Desde a época em que tentou agitar um impeachment contra o governo Lula como fez com Collor, Veja tem perdido credibilidade e se mostra cada vez mais um instrumento político, dando alguma razão aos esquerdistas descabelados que tanto execra. Eu gostava daquela revista e me alinhava com muitas de suas idèias, mas hoje em dia leio mais Exame e CartaCapital, que parecem ser revistas menos parciais, mais adequadas para entender o país.

  2. dimitri Says:

    Felippe, embora eu tenha algumas discordâncias com o seu furor “anti-neoliberal”, concordo que a capa da Veja foi apelativa e até patética, vamos dizer logo. Eu não me considero nem um pouco “neoliberal”, ou seja lá o que isso queira dizer. Mas eu defendo: o capitalismo, contra o comunismo, um sistema nefasto e abjeto, não só econômica, mas ideologicamente. Defendo a economia de mercado, contra a economia planejada, que é falida e levou m ilhões à miséria e à morte, defendo a democracia, que é o pior regime político, como diz Churchill, exceto todos os outros que inventaram antes dela, porque defendo a liberdade, de consciência e liberdade, defendo a laicidade (a separação Igreja-Estado), sendo contra o laicismo (o impedimento da Igreja se posicionar na sociedade e no Estado, como parte e membro de ambos). E defendo (pasmo total!) o Estado, em seu justo lugar (que é algo se perguntar): nem o Estado mínimo daqueles que querem tirar do estado o que lhe é de responsabilidade, nem o Estado máximo ditatorial ou totalitário, que em nome do bom, do belo e do que há de melhor, provoca morte e destruição humana e cultural, apelidando-se aqui e ali de nazismo, fascismo ou comunismo, as três sementes do mal. Muito menos de Estado “médio”, precisamos de Estado justo. O velho Aristóteles já ensinava (e santo Tomás de Aquino com ele) que a justiça é dar a cada um o que é de direito. A Deus, em primeiro lugar, é devido o culto: por isso a liberdade da Igreja é fundamental, quem respeita a Igreja respeita qualquer outra agremiação comunitária. Aos homens, a possibilidade de poderem realizar as potencialidades que já trazem intrínsecas em suas pessoas: o Estado deve dar as condições para tanto, a começar pela educação, infra-estrutura, saúde, ou mesmo subsídios. E fortalecer as redes de laços sociais, que são o sinal mais evidente de uma pessoa e de uma sociedade. Qual é o mais pobre? Aquele que está sozinho. Qual o mais rico? aquele que mais tem laços, mais tem vínculos, mais capital social… isso compete o estado favorecer, para criar uma sociedade livre, plural e democrática, a civilização da liberdade e do amor.

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