O coelhinho de Donnie Darko

Há certos assuntos que não devem ser escritos. Apenas discutidos oralmente. Um destes é o filme Donnie Darko, o qual gera discussões maravilhosas, mas dificilmente organizáveis em um texto coerente. O próprio filme brinca com a incoerência, da forma leve que apenas o recurso audiovisual – nas mãos de um bom diretor – permite.

Donnie Darko é um filme que brinca com diversas dimensões existenciais e filosóficas através das imagens do conservadorismo moral de uma pequena cidade do interior norte-americano, do garoto inteligente e psicologicamente problemático que está à frente dos seus contemporâneos, da questão da responsabilidade e do arrependimento, bem como da própria questão da relação do ser humano com o tempo.

Sinopse do filme dirigido por Richard Kelly: Donnie (Jake Gyllenhaal) é um jovem brilhante e excêntrico, que cursa o colegial, mas despreza a grande maioria dos seus colegas de escola. Donnie tem visões, em especial de um coelho monstruoso o qual apenas ele consegue ver, que o encorajam a realizar brincadeiras destrutivas e humilhantes com quem o cerca. Até que um dia uma de suas visões o atrai para fora de casa e lhe diz que o mundo acabará dentro de um mês. Donnie inicialmente não acredita na profecia, mas momentos depois a turbina de um avião cai bem no telhado de sua casa, quase matando-o. É quando ele começa a se perguntar qual o fundo de verdade na previsão do fim do planeta. [fim de sinopse]

A trama incita a partir do momento em que brinca com o tempo, costurando um paradoxo da predestinação. Donnie estava predestinado a morrer, mas devido a um de seus ataques de sonambulismo levanta-se da cama e acorda em um campo de golfe. Ao voltar para casa, descobre que uma turbina de avião caiu sobre o seu quarto, atingindo sua cama. O mistério: nenhuma empresa de aviação reinvidicou o artefato e não há registros de acidentes aéreos. Em suma, ninguém sabe de onde veio a turbina. [pano breve] Durante a trama, Donnie se interessa pelo tema da viagem no tempo. De alguma forma, esse interesse está ligado à sua predestinação. Devido à sua sobrevivência do acidente, ele acaba conhecendo uma garota por quem se apaixona. E ela acaba morrendo em um acidente do qual Donnie foi uma das causas. Como reverter a morte de sua amada? Talvez morrendo no acidente do qual ele não deveria ter sobrevivido…

O filme apresenta diversas discussões que tangenciam o tema principal sem serem menos profundas. E, por fim, saímos dele com a dúvida: seria melhor revertermos as coisas das quais nos arrepedemos ou as quais nos fazem sofrer ou é melhor lidar com a vida como ela é, seguindo o que canta o Humberto Gessinger em Surfando Karmas & DNA: “se eu soubesse antes o que sei agora, erraria tudo exatamente igual”? Sim, pois, de fato, se alterássemos uma gota acabaríamos por alterar um oceano. Nesse sentido, Donnie Darko dialoga com Efeito Borboleta. Além do mais, valeria a pena abrir mão dos momentos únicos que experienciamos, com suas dores e alegrias, por outros, igualmente submetidos à condição existencial humana?

O Wikipedia, em inglês, traz informações esclarecedoras sobre os mistérios do filme, o qual deve ser assistido várias vezes. Eu assisti duas.

Aqui se pode assistir o clipe, com cenas do filme, da belíssima música de Gary Jules e Michael Andrews, Mad World, com legenda em português. Aqui, o clipe original (fantástico!). E aqui o trailer (em inglês).

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2 Respostas to “O coelhinho de Donnie Darko”

  1. Marcela Isis Says:

    O filme é, no mínimo, perturbador. É um de meus filmes favoritos, seus comentários sobre ele foram excelentes. Merece ser assistido inúmeras vezes.

  2. Jujuba Valentino Says:

    A música é do Orzabal, do Tear For Fears.
    Esse arranjo mais lento que é d e Jules / Andrews… acho.

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