Archive for maio \28\UTC 2008

O coelhinho de Donnie Darko

maio 28, 2008

Há certos assuntos que não devem ser escritos. Apenas discutidos oralmente. Um destes é o filme Donnie Darko, o qual gera discussões maravilhosas, mas dificilmente organizáveis em um texto coerente. O próprio filme brinca com a incoerência, da forma leve que apenas o recurso audiovisual – nas mãos de um bom diretor – permite.

Donnie Darko é um filme que brinca com diversas dimensões existenciais e filosóficas através das imagens do conservadorismo moral de uma pequena cidade do interior norte-americano, do garoto inteligente e psicologicamente problemático que está à frente dos seus contemporâneos, da questão da responsabilidade e do arrependimento, bem como da própria questão da relação do ser humano com o tempo.

Sinopse do filme dirigido por Richard Kelly: Donnie (Jake Gyllenhaal) é um jovem brilhante e excêntrico, que cursa o colegial, mas despreza a grande maioria dos seus colegas de escola. Donnie tem visões, em especial de um coelho monstruoso o qual apenas ele consegue ver, que o encorajam a realizar brincadeiras destrutivas e humilhantes com quem o cerca. Até que um dia uma de suas visões o atrai para fora de casa e lhe diz que o mundo acabará dentro de um mês. Donnie inicialmente não acredita na profecia, mas momentos depois a turbina de um avião cai bem no telhado de sua casa, quase matando-o. É quando ele começa a se perguntar qual o fundo de verdade na previsão do fim do planeta. [fim de sinopse]

A trama incita a partir do momento em que brinca com o tempo, costurando um paradoxo da predestinação. Donnie estava predestinado a morrer, mas devido a um de seus ataques de sonambulismo levanta-se da cama e acorda em um campo de golfe. Ao voltar para casa, descobre que uma turbina de avião caiu sobre o seu quarto, atingindo sua cama. O mistério: nenhuma empresa de aviação reinvidicou o artefato e não há registros de acidentes aéreos. Em suma, ninguém sabe de onde veio a turbina. [pano breve] Durante a trama, Donnie se interessa pelo tema da viagem no tempo. De alguma forma, esse interesse está ligado à sua predestinação. Devido à sua sobrevivência do acidente, ele acaba conhecendo uma garota por quem se apaixona. E ela acaba morrendo em um acidente do qual Donnie foi uma das causas. Como reverter a morte de sua amada? Talvez morrendo no acidente do qual ele não deveria ter sobrevivido…

O filme apresenta diversas discussões que tangenciam o tema principal sem serem menos profundas. E, por fim, saímos dele com a dúvida: seria melhor revertermos as coisas das quais nos arrepedemos ou as quais nos fazem sofrer ou é melhor lidar com a vida como ela é, seguindo o que canta o Humberto Gessinger em Surfando Karmas & DNA: “se eu soubesse antes o que sei agora, erraria tudo exatamente igual”? Sim, pois, de fato, se alterássemos uma gota acabaríamos por alterar um oceano. Nesse sentido, Donnie Darko dialoga com Efeito Borboleta. Além do mais, valeria a pena abrir mão dos momentos únicos que experienciamos, com suas dores e alegrias, por outros, igualmente submetidos à condição existencial humana?

O Wikipedia, em inglês, traz informações esclarecedoras sobre os mistérios do filme, o qual deve ser assistido várias vezes. Eu assisti duas.

Aqui se pode assistir o clipe, com cenas do filme, da belíssima música de Gary Jules e Michael Andrews, Mad World, com legenda em português. Aqui, o clipe original (fantástico!). E aqui o trailer (em inglês).

De onde veio 68?

maio 28, 2008

O mês de maio está chegando ao fim e eu não poderia me furtar de abordar os 40 anos do Maio de 68. Não o fiz antes por diversos motivos, um dos quais foi justamente meu envolvimento na organização do evento “Maio de 68: dos 40 anos do levante juvenil às leituras do mundo contemporâneo”, realizado de 6 a 14 deste mês na Escola de Administração da UFBA. O que se segue é a sistematização de uma pequena parte das minhas idéias, expostas durante minha conferência no evento. Em breve, a TV UFBA disponibilizará os vídeos. Como sempre, privilegiei um olhar que congrega a história e a sociologia política, buscando, mais do que entender o passado, entender o presente levando o passado em consideração.

Para a economista Maria da Conceição Tavares, o mundo contemporâneo vive uma transição da geopolítica à geoeconomia, ou seja, os imperativos últimos da ordem mundial não são mais balizados por decisões políticas, ideológicas e/ou estratégicas dos gestores do Estado, mas, sim, pelos constrangimentos “técnicos” e “neutros” do mercado financeiro globalizado. Daí o que eu chamo de transição da Economia Política à política econômica. A primeira formulação ficou famosa nos escritos de Karl Marx, que estava preocupado em demonstrar a influência decisiva da materialidade da vida social, ou seja, a esfera econômica, na estrutura social e na vida das pessoas comuns – a classe trabalhadora. Assim, qualquer decisão econômica seria, na verdade, uma decisão política. No período de vigência da bipolaridade da Guerra Fria (1947-1991), a Economia Política fez por merecer as letras maiúsculas. Lembremos o Plano Marshall: haveria algo mais absurdo para a ótica monetarista do neoliberalismo atual do que dar dinheiro a fundos perdidos para países se reconstruírem? A decisão política do Tio Sam remou contra a lógica da Economia neoclássica – e o mais impressionante: foi um sucesso! Hoje, predomina a política econômica (com letras minúsculas mesmo): superávit primário, taxas de juros, especulação financeira etc etc etc. Mas que ninguém duvide que esta minusculização da política seja uma decisão política!

Assim, podemos dizer que a década de 60 do século XX, de onde saiu o tal ano de 68, foi parte da hiperpolitização da estrutura social, o que não implica necessariamente atores (indivíduos reais como você e eu) politizados e totalmente conscientes do que se passava ao seu redor, ou melhor, acima de suas cabeças de reles mortais. Imaginem os noticiários da época: Estados Unidos contra União Soviética ou, ainda, Capitalismo contra Socialismo. Que duelos de Titãs! O povão ficava lá embaixo, sem saber direito o que eles tinham a ver com tudo isso. Assim, joguemos fora a ilusão de que todo mundo na década de 60 (notadamente os jovens) ou eram marxistas ou hippies. Na verdade, os jovens politizados, até 1968, eram apenas uma parcela vanguardista dos estudantes, numericamente pequena, mas extremamente barulhenta e, portanto, visível. Até aquele ano fatídico, jovem era só o estudante e vice versa. A partir de 68 ficará claro até os dias atuais que jovem também pode ser o negro, a mulher, o gay, a ambientalista etc etc etc.

68 testemunhou a irrupção de diversas manifestações de protesto ao redor do mundo ocidental – do Norte desenvolvido ao Sul subdesenvolvido. Primeiro, porque o capitalismo estava atravessando mudanças econômicas e sociais importantes, com o crescimento econômico (seja do Estado de Bem-Estar, no Norte, ou do Estado nacional-desenvolvimentista, no Sul, não raro, sob ditaduras) e o baby boom (a explosão demográfica do pós-guerra, que ampliou a percentagem de jovens na população na década de 60, tendo consequências diretas nos campos da cultura, da educação e do lazer). Segundo, porque, enquanto isso, o socialismo, política e economicamente, se desiludia consigo mesmo. Dessa forma, 68 nasce das condições estruturais do mundo ocidental e transmuta-se onde quer que irrompa. 68 é a luta estudantil e sindical (separadas) na França, o assassinato de Martin Luther King Jr., as lutas pacifistas contra a Guerra do Vietnã e a queima de sutiãs nos Estados Unidos, o massacre de Tlatelolco (estudantes em protesto) no México às vésperas das Olimpíadas, a breve Primavera de Praga (tentativa pelo próprio Partido Comunista local de humanizar o socialismo na Tchecoslováquia) e seu esmagamento pelos tanques soviéticos e do Pacto de Varsóvia etc etc etc. No Brasil, 68 testemunhou o assassinato do secundarista Edson Luís, a passeata dos cem mil contra os militares, a tentativa do Congresso da UNE em Ibiúna, onde cerca de mil líderes estudantis foram presos e, por fim, a vitória reacionária com a edição do AI-5 em 13 de dezembro.

Assim, onde quer que surgisse algo neste ano tão simbólico, surgia com suas especificidades. A unificação se dava no único sentido de que todas estas manifestações eram um grande grito contra a opressão econômica, social, étnica, de minorias, sexual e até mesmo existencial. 68 é um ponto significante dentro de uma linha: há ensaios com a mobilização social das lutas de descolonização, com o ponto alto da Argélia, bem como há desdobramentos em Woodstock (1969), dentre tantos outros exemplos que poderíamos aqui listar. Podemos dizer, concluindo, que 68 começou bem antes, no início da década de 60, e terminou bem depois. Há ainda quem diga que ele não terminou.

José Simão e Marina Silva no Folha de São Paulo

maio 19, 2008

“Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!

E continuo com o ecossistema nervoso! Sabe por que a Marina se demitiu? Por falta de ambiente! “Ai, não tenho mais ambiente nesse Ministério”.

E sabe como se chama o suplente da Marina Silva? Sibá MACHADO! Rárárá!

Hoje só amanhã!”

Justiça demasiado humana

maio 19, 2008

O ser humano é injusto. No entanto, inventou a Justiça.

Krinópolus, filósofo

IV SEMCINE

maio 19, 2008

Prosseguem as inscrições para o IV Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual da Bahia (Semcine), previsto para julho – entre 21 e 26 – em Salvador. O evento, com apoio da UFBA, destaca-se na promoção de intercâmbio cultural, discussões e reflexões sobre a criação, produção, circulação e consumo do audiovisual. Nas edições anteriores, nomes como dos cineastas Constantin Costa-Gavras (Grécia) e Miguel Littin (Chile), além de pesquisadores como Robert Stam (New York University) e Michel Marie (Sorbonne), integraram as atividades do evento. Nessa quarta edição estão confirmadas mesas-redondas, workshops, encontros de produtores e distribuidores, além de mostras de filmes e vídeos. A grande novidade é a parceria com o Festival des 3 Continents de Nantes, que vai trazer a Salvador o “Produire au Sud”, um workshop que irá desenvolver seis projetos brasileiros de longa-metragem para o mercado internacional.

O valor da inscrição para os seis dias do seminário é de R$40,00 (inteira), para profissionais, e R$20,00 (meia), para estudantes. Com esta única taxa o público garante acesso a todas as sessões de filmes, palestras e debates, incluindo o certificado de participação no evento. As inscrições podem ser realizadas através de formulário no site do Semcine, no endereço http://www.seminariodecinema.com.br. O passo seguinte é efetivar o pagamento e, em seguida, confirmar a participação, o que pode ser feito na coordenação do seminário, na Reitoria da UFBA, através do fax (71) 3283-7017, ou ainda pelo e-mail inscricoes@seminariodecinema.com.br, com o comprovante do pagamento em anexo.

Fonte.

hagar

maio 19, 2008

GEPOM – Sessão de abertura

maio 13, 2008

Um grupo de estudantes curiosos – inicialmente restritos ao curso de Ciências Sociais – sentiu a necessidade de discutir e estudar mais profundamente o tema “pós-modernidade”. Tal conceito, enquanto termo por si só, tem levantado diversas polêmicas e até mesmo rechaçamento por parte da Universidade brasileira. Por vezes visto como “mera negação”, outras como “reacionarismo neoliberal contra a luta de classes”, a condição pós-moderna está na pauta do dia nas ciências sociais e humanas ao redor do mundo, o que fica provado devido ao grande número de publicações nesse sentido de diversos autores consagrados (de Frederic Jameson, François Lyotard, Jean Baudrillard, Gianni Vattimo à David Harvey, Zygmunt Bauman, Boaventura de Sousa Santos, Anthony Giddens dentre tantos outros). Assim, fica evidente a necessidade de irmos além dos currículos acadêmicos e buscarmos entender autonomamente – e sem ideologias a priori – tema tão crucial.

Com este intuito, foi criado o Grupo de Estudos sobre a Pós-Modernidade (GEPOM), congregando, já neste momento, interessados de outras áreas do conhecimento, para além das Ciências Sociais. Trata-se de um grupo que objetiva trazer tal tema à tona a partir de encontros periódicos para apresentação de textos e discussão coletiva. Serão discutidos a seleção de textos, o cronograma e a periodicidade dos encontros, etc. Poderá ser criado um blog para melhor divulgar o grupo.

Para a primeira sessão pública do GEPOM, serão discutidos dois textos: “Introdução” de Era dos Extremos de Eric Hobsbawn e três capítulos da Condição Pós-Moderna de David Harvey. Os apresentadores dos textos serão Dimitri Martins e Felippe Ramos, respectivamente. A pasta do GEPOM com os textos está na xerox da Escola de Administração da UFBA, no térreo, logo depois da cantina. A sessão ocorrerá no dia 15/05, às 16h, na EAUFBA, em sala a combinar no local (encontro no hall do 3º andar).

Interessados favor enviar e-mail com antecedência para felippejoplin@gmail.com

Quando a política empolga

maio 8, 2008

Muito bom perceber que, a despeito de sua crise de representação, a política institucional ainda pode nos dar alguns momentos de satisfação.

O senador José Agripino Maia (DEM) provocou de forma leviana e recebeu uma belíssima resposta da ministra Dilma Roussef. Vale a pena ver e ouvir várias vezes.

Advogado do Diabo: há exageros de parte à parte

maio 5, 2008

O professor Antonio Natalino Dantas, que afirmou que baiano tem QI baixo, renunciou ao cargo de coordenador do colegiado do curso de Medicina da UFBA, lançando nota pública na qual se diz envergonhado, arrependido e mal-interpretado. Os movimentos sociais e mesmo manifestações individuais foram fulminantes. Exigem a expulsão, execração, enxotamento etc do professor. Natalino foi estúpido, conforme já opinei aqui. Mas foi linchado pela mídia local e mesmo nacional, autuado pelo Ministério Público, renunciou ao cargo de coordenador, sofreu adverências oficiais da UFBA e da Faculdade de Medicina e lançou uma carta na qual a vergonha é a tônica. Ademais os movimentos sociais já mostraram sua cara e deram seu recado. O que mais se pode exigir? O esquartejamento e a exibição em postes das partes do seu corpo? Deixemos – fiscalizando, é claro – a Justiça averiguar se medidas penais ou cíveis são cabíveis.

Na democracia, mesmo que formal, como a brasileira, os cidadãos têm o direito à livre expressão. Como afirmou o ministro do STF Carlos Ayres de Britto, a liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade. Mas quando os indivíduos ou grupos ultrapassam os limites do bom senso no usufruto desse direito e caem no preconceito/racismo a democracia tem que punir. Mas punição desmedida, nos ensinou o pensador francês Michel Foucault, só serve para alimentar a barbárie. Uma punição proporcional serve não apenas apenas para punir o infrator, mas sobretudo para educar os demais cidadãos através do exemplo.

O desastre da Revolução Cultural na China já demonstrou que justiça sumária nas supostas mãos “do povo” leva à injustiça e ao abuso. Temos que equilibrar a ação institucional com a ação social. Os movimentos sociais devem, desse modo, medir palavras e ações na execução de sua justíssima luta. E focar no X da questão, que não é o comportamento ou a fala de um indivíduo isolado, mas o arraigado e atávico preconceito numa sociedade dita bastião da “democracia racial”, do qual o comportamento do professor é apenas um dos muitos exemplos, mas que tomou eco por seu portador ser uma figura pública. A questão, contudo, é estrutural e os movimentos sociais devem aproveitar a oportunidade para educar a sociedade e não para saciar uma recôndita sede de sangue. O grande problema é a reprodução do pensameto (e ação) racista/preconceituoso no mundo da vida cotidiana, reproduzindo, dessa forma, de modo imperceptível ou silencioso a estrutura excludente da nossa sociedade. O sangue derramado de um bode expiatório sacia a indignação acumulada e reprimida, mas não resolve o problema. Ademais, bodes expiatórios são ótimos para a elite: vão-se os anéis, mas os dedos ficam intactos.

Para continuar na polêmica, a realidade é como o berimbau: aparenta ser simples, mas ultrapassa todos os maniqueísmos e demonstra, em um nível mais profundo, sua complexidade.

Pós-modernidade e(m) moda

maio 2, 2008

Eis que este singelo blog entrou na lista dos que mais ganharam popularidade recentemente.

Além do mais, tem um dos posts na lista dos Top Posts.

Obrigado a todos aqueles que frequentam estas pairagens pós-modernas.

Dia do Trabalhador ou dia de trabalho?

maio 1, 2008

A prostituição da CUT já é evidente. Sua relação simbiótica com o governo Lula levou este à nomear Ministro do Trabalho um presidente da Central. Não é questão de “se hay gobierno, soy contra”, mas é que as ações do governo Lula na área do trabalho são pautadas por divergências entre os interesses dos trabalhadores e os dos patrões. O mínimo que se espera de uma Central com a história da CUT é a defesa intransigente de sua classe, e não a conciliação em defesa do governo. É claro que o mundo mudou e não estamos mais na época moderna da centralidade do trabalho, mas na era pós-moderna de centralidade do consumo. Isso implica enfraquecimento das mobilizações classistas e trabalhistas. Mas ainda se pode ver Workers’ Day (ou Labor Day) combativo ao redor do mundo. No Brasil e na Bahia, a CUT transformou um dia de combate em um dia de espetáculo – festas que entretém e não lutas que ampliam ou garantem direitos e educam os cidadãos. Venceu o modelo pelego criado pela Força Sindical.

Enquanto a CUT de luta dorme um sono profundo, os trabalhadores estão bem acordados, trabalhando domingos e feriados, até mesmo no dia que antigamente era o seu dia.

Baiano tem QI baixo, segundo professor – baiano! – da UFBA

maio 1, 2008

Sim. Um professor da UFBA foi estúpido o suficiente para fazer uma declaração dessas. É só ver aqui.

A pós-modernidade facilita o retorno de concepções retrógradas como os determinismos geográfico e biológico. O mau desempenho dos estudantes de Medicina no Enade podem ser atribuídos a diversos fatores: a) boicote estudantil, b) más condições de ensino, c) professores incompetentes, como o próprio que fez esta declaração, dentre outros.

Interessante a nota pública emitida conjuntamente pelo Reitor da UFBA, Naomar de Almeida, e pelo diretor da Faculdade de Medicina, José Tavares Neto.

Já estão falando até em fazer protesto. Discordo. A postura irônica de Tom Zé é melhor.