Mudando de assunto

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Eu ia falar, obviamente, da visita de Condoleezza Rice ao Brasil e à Salvador. Já estava programada há tempos, inicialmente para a assinatura de um tratado bilateral para o combate ao racismo e o fortalecimento do turismo étnico (seja lá o que isso for; talvez pensem que os negros devem visitar lugares onde predomina a cultura negra, o que explica a visita à Bahia – mais especificamente ao Pelourinho e à Igreja de N. Srª. do Rosário dos Pretos, depois de Condi ter recebido uma fita do Senhor do Bonfim de uma baiana típica). Digressão: os brasileiros adoram cultivar seus estereótipos e depois ficam estupidamente reclamando do filme Turistas. Voltando ao assunto: com a crise diplomática na América do Sul, obviamente esta se tornou pauta principal. Condi quer clareza acerca da posição brasileira sobre as FARC e o apoio ao governo democrático de Uribe. O chanceler Celso Amorim, como bom diplomata, respondeu com um sorrisão no rosto:
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Celso Amorim e Condi
Porém, ao que tudo indica, o Brasil manterá sua linha nem tanto nem tão pouco – alisa Chávez e abraça Condi. Para deixar a conversa morrer, o chanceler tocará no assunto tabu: reforma do sistema ONU e assento permanente no Conselho de Segurança. Pronto. A partir daí, só mesmo biodiesel e turismo étnico.
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Mas o melhor da visita de Condi não teve nada a ver com o acima dito. É que a péssima cobertura da mídia tupiniquim sempre me leva a pesquisar mais informações na rede mundial. A princípio, os resultados também são pífios. O google exibe logo o Folha, Uol, G1, Globo e merdas do tipo. Mas lá pela página 10 da procura começam a aparecer páginas melhores – a maioria de língua inglesa. Hoje, por exemplo, acabei entrando na página do Departamento de Estado estadunidense. Lá estava um destaque da visita de Condi à terra das anacondas comedoras de gente. Primeiro, descobri que Condi, ao contrário de Bush, sabe muito bem que a capital do Brasil não é Buenos Aires e tampouco São Paulo ou Rio de Janeiro. Mas o que mais impressiona é a velocidade da atualização do site e da quantidade de informações à disposição. Enquanto em português eu achei isso, isso e isso, no sítio de Condi eu achei toda a entrevista de Condi à Waack no Jornal da Globo e toda a entrevista coletiva de Celso Amorim e Condi à jornalistas brasileiros. Para não dizer que comparei alhos com bugalhos, dou outro exemplo: pesquisando sobre o Mercosul, cheguei à página do Itamaraty e encontrei uma notícia de 199epoucos como sendo a mais atual.
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É certo promover protestos contra a política imperialista de Bush-Rice, mas é certo, também, que nossos sítios devem ser atualizados e conter mais e melhores informações. Senão a gente começa a falar de uma coisa e termina falando de outra, como aconteceu por aqui.

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