Mais a respeito da crise diplomática sul-americana

Em post anterior afirmei:
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“Assim, o discurso moderado demais do chanceler brasileiro Celso Amorim pode ter sido uma tática equivocada. A meu ver, ele deveria ter sido mais propositivo, sugerindo um encontro dos chanceleres do Equador e da Colômbia em Brasília, isolando Chávez e colocando a diplomacia brasileira em destaque. O isolamento de Chávez se justifica pelo fato da Venezuela não ter sido diretamente envolvida no conflito original e, ademais, por ter representado um papel belicista ao invés de conciliador.”
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Pois a posição brasileira hoje na sessão extraordinária da OEA, em Washington, foi muito mais propositiva e ativa. O embaixador brasileiro intermediou as negociações entre a Colômbia e o Equador, o que possibilitou a aprovação da resolução que reconheceu que a Colômbia violou o espaço aéreo e a soberania equatoriana, mas sem tecer maiores críticas. Em território brasileiro, Lula se encontrou com Rafael Correa e propôs um encontro entre o presidente equatoriano e colombiano, com intermediação brasileira. Correa, contudo, rejeitou a proposta e chamou Uribe de tudo quanto é nome feio.
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A Colômbia, por sua vez, entrou com ação na Corte Internacional de Justiça contra a Venezuela. Diz ter provas de que a movimentação militar da Venezuela para fechar suas fronteiras se explica pelo fato de que o número um das FARC-EP se encontra em território venezuelano com aval de Chávez.
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A Venezuela e o Equador, contudo, disseram ter provas de que o ataque se deu enquanto os guerrilheiros das FARC-EP dormiam, contrariamente à versão colombiana de que houve combate e resistência.
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Mas o mais grave foi a divulgação de como a Colômbia tomou conhecimento do local exato de onde estavam Reyes e os demais guerrilheiros. O próprio governo colombiano admitiu que interceptou uma ligação entre Chávez e Reyes, a partir da qual localizou o segundo. O problema é que a Colômbia não tem a tecnologia necessária para tanto. Alguma dúvida de quem deu essa mãozinha? Claro. Os Estados Unidos. Isso explica porque o Império tem se mantido tão quietinho até agora.
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Nisso Chávez e seus discursos nada diplomáticos têm razão: “Nós não queremos guerra, mas não vamos permitir ao império norte-americano, que é o amo, nem ao seu cachorro, o presidente Uribe e a oligarquia colombiana, que venham nos dividir, que venham nos debilitar, não vamos permitir”, disse o mandatário venezuelano. Veja na fonte.
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Aqui vocês terão acesso a uma análise crítica dos discursos proferidos pela mídia reacionária brasileira.
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Assim, diversos ingredientes estão aumentando a sopa. Vamos ver no que vai dar. Estarei por aqui comentando e torcendo para uma solução pacífica, mas que isole o governo subalterno de Uribe. O que está em jogo não é isolar-se dos Estados Unidos, afinal a maior potência econômica, mas investir na soberania e autonomia necessárias para o fortalecimento do Estado – o que lhe dará margem para agir de acordo com o interesse nacional e não a partir do humor do mercado ou das instituições financeiras internacionais. Com o atual andar da carruagem na América Latina, a Colômbia tem se posicionado como um entrave, à mando dos Estados Unidos, ao processo de integração das comunidades nacionais. Uribe quer ser o bastião solitário do neoliberalismo de sangue puro.

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