As pessoas estão sempre atrapalhando a vida da gente

Em post anterior, disponibilizei trechos do livro O apanhador no campo de centeio. A frase que encerrou o post foi a seguinte:

“As pessoas estão sempre atrapalhando a vida da gente”.

Merece umas considerações a mais.

O ser humano é um animal social. Mas também político, conforme Aristóteles, o que implica interesses, conflito e identidade. Nesse sentido, quando constituímos nossas identidades ao longo dos cotidianos (e o plural aqui é válido), constituímos um sistema de gostos e desgostos – coisas e pessoas que apreciamos e as que repudiamos. Cada pessoa tem o seu próprio sistema e, assim, cada pessoa diferencia-se das outras todas. Mas a diplomacia social nos faz con-viver (viver com) as diferenças dos outros e evitamos o rompimento pela dor moral que ele nos traria. A personagem do livro não estava imune à isso. Por ser uma narração em primeira pessoa, o desabafo é, na verdade, intimista e não significa um diálogo público. De fato, vivemos pensando coisas sobre outras pessoas as quais não poderíamos nem teríamos a coragem de dizer em público, mesmo à amigos próximos ou ao padre do confessionário.

Sim, Durkheim estava certo ao dizer que precisamos organicamente dos outros. Mas há o elemento interessado mesmo dentro da moral. Não rompemos a diplomacia social com as pessoas que “vivem atrapalhando a vida da gente” para evitar abalos maiores em nossa forma cotidiana de lidar com a vida.

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Uma resposta to “As pessoas estão sempre atrapalhando a vida da gente”

  1. Larissa Says:

    Há pessoas que atrapalham tanto que chego a discordar de Durkheim. Precisamos organicamente uns dos outros, mas acredito que precisamos dos outros no sentido amplo da palavra. Precisamos de pessoas, de uma comunidade, mas não de pessoas em particular. Por isso, às vezes, rompo com as normas sociais e com a política de boa vizinhança imposta a nós e “chuto o pau da barraca mesmo. O que me conforta e me impulsiona é a certeza de que sempre vao haver outros e o “corpo” estará sempre aqui. Afinal não tenho nenhum tipo crônico e agudo de sociopatia. Só o necessário para uma boa convivência comigo mesma.

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