Maio de 68 - Evento imperdível!

Abril 20, 2008 by framos

O Labmundo (Laboratório de Análise Política Mundial) – grupo de pesquisa da UFBA na área de Relações Internacionais, coordenado pelo prof. Dr. Carlos R. S. Milani e pela profª. Drª. Ruthy Nadia Laniado – promove entre os dias 06 e 14 de maio uma discussão historiograficamente diferenciada e multidisciplinar acerca do contexto de contestação da década de 60. Multidisciplinar porque acredita que fenômenos desta importância política devem ser entendidos em sua complexidade, adotando perspectivas que colocam em diálogo a ciência política e a história, a sociologia, a economia etc. Historiograficamente diferenciada porque, na perspectiva historiográfica de Eric Hobsbawn, abandona o senso comum acerca do significado de Maio de 68 a fim de problematizá-lo e ressignificá-lo. Assim, o presente evento entende o Maio de 68 não apenas como os acontecimentos parisienses – que, definitivamente, entraram para a história de conhecimento geral –, mas expande-o para os acontecimentos em diversas partes do mundo que abalaram o status quo político, social e cultural, não apenas da estrutura e ordem capitalistas, mas também do que, à época, se considerava o modelo de contestação, ou seja, as experiências do socialismo real e o ideal revolucionário de tomada do poder por meio da luta armada. Desse modo, o Maio de 68 é a parte mais conhecida e, quiçá, mais emblemática, de um processo histórico muito mais amplo que se iniciou antes de 68 e terminou bem depois. O evento proposto, então, objetiva discutir as diversas faces do processo histórico em tela: a Primavera de Praga, os movimentos pacifistas contra a Guerra do Vietnã, o movimento dos direitos civis dos negros norte-americanos, a queima de sutiãs pelas mulheres, o levante estudantil em Paris, o movimento hippie, a reação contra os estudantes no Zócalo na Cidade do México, bem como os contextos particulares, como no caso do Brasil, marcado pela recrudescência de uma ditadura militar através da edição do AI-5.

Nesse sentido, a questão que ora se levanta é entender a atmosfera social ampla, aquilo que Max Weber chamaria de ethos de uma época. O que distancia e o que aproxima as diferentes expressões de uma época marcada pela turbulência e pela irreverência perante os modelos rígidos da política (capitalista ou socialista)?

Ademais, o evento se encontra na confluência de diversas discussões que serão travadas em todo o mundo acerca dos 40 anos do maio de 68 francês. Nossa idéia foi ampliar esse entendimento limitado e eurocêntrico de duas formas: a) adotando a nomenclatura “maio de 68″, mas ampliando o escopo de análise para acontecimentos históricos ocorridos em outras partes do mundo e, b) incluindo as reações do establishment ao contexto, como no já citado caso da edição do AI-5 no Brasil.

Por fim, ligando-se aos estudos da política internacional, o evento transcende a década de 60 e busca compreender seus desdobramentos até os dias atuais a partir de alguns questionamentos centrais. Quais são os efeitos do declínio do imaginário utópico socialista para a ordem política e que implicações esse fenômeno traz para o mundo da vida cotidiana dos atores? Quais os contornos da nova ordem mundial contemporânea? Como se apresenta a contestação após o fim da bipolaridade? E, ainda, quais os possíveis rumos do pensamento crítico em um contexto de hegemonia do pensamento neoliberal?

Cliquem na imagem abaixo para visualizar a programação atualizada e final do evento.

Cliquem também aqui e aqui.

NOTA: A oficina com Pronzato será realizada às 15h. Ceteris paribus, ou seja, tudo o mais permanece constante, como gostam de dizer os economistas.

Boas palestras

Abril 18, 2008 by framos

O Laboratório de Análise Política Mundial (LABMUNDO) organiza duas palestras com:
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Professor Philippe Copinschi
Instituto de Estudos Políticos de Paris - Sciences Po
Tema: Economia Política Internacional do Petróleo
Data: 28 de abril
Horário: 9 horas
Sala: 14 (Escola de Administração, Vale do Canela, UFBA)
A palestra será em inglês com mediação em português.
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Professora Rosa de la Fuente
Universidad Complutense de Madrid
Tema: Chiapas e reconfiguração do espaço social no México
Data: 30 de abril
Horário: 9 horas
Sala: 14 (Escola de Administração, Vale do Canela, UFBA)
A palestra será em espanhol, mas o debate será mediado em português.
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Aberto ao público, de acordo com a disponibilidade na sala.

O planeta Terra, esta coisa que só é bonita de longe

Abril 17, 2008 by framos

Imagens da missão lunar Kaguya, da Jaxa, agência espacial japonesa

Dialética pós-moderna

Abril 14, 2008 by framos

a pós-modernidade não conhece mudanças, apenas modas

Sobre o silêncio

Abril 14, 2008 by framos

muitos são os silêncios

poucos serão ouvidos

paulo leminski

De onde veio o logo das Olimpíadas

Abril 11, 2008 by framos

Da internet, meu protesto contra a China.

Teoria Geral do Direito

Abril 8, 2008 by framos

Gosto de uma piada que critica simultaneamente a hiperespecialização e os profissionais do Direito. Conta que um rapaz estava com forte dor no testículo esquerdo e se dirigiu à um amigo que era clínico geral. Ele disse não poder fazer muito, mas lhe deu um cartão de um médico urologista amigo seu. Na pressa, pegou o cartão errado e encaminhou o amigo para um advogado. Chegando ao rústico escritório cheio de livros não-lidos, típico dos advogados, o rapaz se impressionou pela singularidade do consultório. A dor, contudo, retirou-lhe de suas divagações. Finalmente atendido pelo “médico”, foi perguntado no que gostaria de ser ajudado, ao que o rapaz abriu o botão e o zíper da calça, retirou o bagulho pra fora, pôs em cima da mesa do atônito “doutor” e disse: “é que estou com uma dor terrível no meu testículo esquerdo”. Catando palavras, o “doutor” responde: “deve haver algum engano aqui - minha especialidade é o Direito!”. O rapaz inconformado, sai do consultório irritadíssimo: “vá ser especialista assim na casa da porra!”.

O Direito brasileiro - não sei se o de outros países é assim; com certeza, não os da Common Law - é representante fidedigno da papelada kafkiana e da linguagem parnasiana. Os caras - auto-intitulados e intitulados por imbecis de juristas - escrevem com um português que não existe mais e usam milhões de termos em latim. Tudo para manter a distância privilegiada entre leigos e especialistas. Pecado que as outras ciências humanas e sociais também cometem, mas ainda é possível entender alguns textos de sociologia ou ciência política (ainda que muitas vezes seja um exercício entediante). Tenho estudado alguns ramos do Direito com três dicionários ao lado: um de português, um de latim e um de juridiquês.

Mas o pior é que toda esta parafernalha linguística encobre orações de significados simples. Por exemplo, Celso Antônio Bandeira de Mello define “cargo” assim: “são as mais simples e indivisíveis unidades de competência”. Considero cargo uma palavra simples, que prescinde de conceituação, devido à ampla consciência comum de sua significação. Tente conceituar “bola”, por exemplo. Vai sair algo mais difícil de se fazer compreender do que simplesmente dizendo: bola.

O Direito é tão estranho que as pessoas que dizem o óbvio são consideradas geniais e revolucionárias no âmbito da doutrina. Como Hans Kelsen, que disse que o Direito é histórico e virou um mito. Acreditem: grande parte dos estudantes e professores discordam disso não entendem isso!

Hoje, eu diria que Kelsen acertou duplamente: o Direito é histórico - socialmente construído - e histórico - peça de museu. Só que uma peça de museu que prende. E quem manda prender é o cara do “deve haver algum engano aqui - minha especialidade é o Direito!”. Humpf!

A pesquisa do professor se transformou na lixeira do reitor!

Abril 8, 2008 by framos

O título do post é uma das muitas palavras de ordem usadas pelo movimento estudantil na ocupação da Reitoria da Unb. (Palavras de ordem: rimas curtas e de teor político usadas para a mobilização. Exemplo: “Um, dois, três! Quatro, cinco, mil! Aqui está presente o movimento estudantil!”)

Não raro, movidos por partidos políticos nanicos que pensam estar no auge da Revolução Russa, os movimentos de ocupação têm pautas distantes e sectárias, como “extinção do Reuni”. Mas não é esse absolutamente o caso. A pauta é real e bem próxima do cotidiano. O reitor torrou cerca de 470 mil reais (dados do Ministério Público do DF) na reforma de sua residência oficial - comprou-se até lixeiras de mil reais -, ao que retruca eufemizando: “foram menos de 350 mil!”. Enquanto isso, como grande parte das universidades públicas, as condições de ensino e pesquisa são precárias e não se vislumbra no horizonte movimento semelhante de derrame tão generoso de divisas. Motivo? Faltam verbas! Daí o acerto da palavra de ordem: “a pesquisa do professor se transformou na lixeira do reitor!”. Com todos os equívocos que sempre rondam o movimento estudantil, podemos dizer que este tem um bom motivo de indignação ética e luta política. Espero que não se deixe contaminar por bandeiras exógenas, tal como fortalecimento da Conlute ou sei lá o quê. Eu sei que vocês não sabem o que é Conlute e, creiam, isso é positivo. O que importa é que continuem sem saber, para a saúde mental de vocês.

No mais, a ocupação está igual às outras: Polícia Federal ameaçando, pedido de reintegração de posse, barracas, sexo, vinho, violão, “teatro popular”, corte de água, internet e telefone, visita de políticos (no caso, Cristóvam Buarque, senador). Inesperado foi o apoio do Marcelo Tas, no ar, em CQC.

Bem, espero que Timothy Mulholland saia logo. Não pelo bem do movimento estudantil. Mas pelo meu. É que não pretendo escrever sobre isso de novo. Lixeiras de mil reais e ocupação de reitoria são realmente um porre!

UPDATE: O Ministério Público do DF acaba de dar razão aos estudantes ocupantes e pediu o afastamento do Reitor do cargo, acusando-o de ter usado indevidamente parte da verba destinada à pesquisa na reforma do apartamento oficial, ou seja, improbidade administrativa.

Cult é um chique de esquerda

Abril 4, 2008 by framos

De uma discussão em um grupo de e-mails, meu amigo Tiago Lorenzo dispara:

“”Cult” é um “chique” de esquerda metido a besta. Para eles, qualquer filme da sala de arte é bom. (…) Fazem um esforço tremendo pra gostar de algo quando acham que é “de valor” e que por isso deveriam gostar. (Caralho, não entendi bem este filme, achei meio lento, meio novelão, mas porra, todo mundo lá do circo gostou). A galera do teatro que é assim é uma dais mais engraçadas: nossa, profundo esse momento em que ela caga na boca dele no metrô; é uma crítica à fome no mundo.”

E ele encerra, ainda assim, demonstrando certa simpatia pelos cult:

“Confesso que tenho mais simpatia pelos PIMBAS que pelos CHIQUES. Pelos “cult” que pelos “playboys”. Gosto muito de sacanear ambos, mas me parece mais simpático cultuar o “amor-solidariedade-pobreza-poesia” do que o “requinte-finesse-chique-grana-status”".

Do segundo pensamento, eu discordo.

Esquerda e Direita, ainda?

Abril 2, 2008 by framos
“A esquerda tem razão; a direita tem sabedoria”.
 .
Moeller van den Bruck
filósofo nazista
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É duro dar razão a um nazista.

Maio de 68

Março 31, 2008 by framos
Em 2008, comemoram-se os 40 anos do Maio de 68. Em breve este blog apresentará uma novidade bem legal sobre isso. Aguardem. Por enquanto, fiquem com algumas frases, grafites e pensamentos que marcaram os eventos.
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“Unbutton your imagination as often as your zipper!”
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” Je suis Marxiste, tendence Groucho.”
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“It’s forbidden to forbid!”
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“Soyez réalistes, demandez l’impossible!”
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“Sous le pavé, la plage.”
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“Vivre sans temps mort, jouir sans entraves.”
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“Decretamos estado de felicidade permanente!”
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“Sexo anal para derrotar o capital!”
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Eu, do meu lado, compartilho todos estes sonhos. E simultaneamente concordo com Baud:
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“Na representação imaginária, as massas flutuam em algum ponto entre a passividade e a espontaneidade selvagem, mas sempre como uma energia potencial, como um estoque de social e de energia social, hoje referente mudo, amanhã protagonista da história, quando elas tomarão a palavra e deixarão de ser a “maioria silenciosa” - ora, justamente as massas não têm história a escrever, nem passado, nem futuro, elas não têm energias virtuais para liberar, nem desejo a realizar: sua força é atual, toda ela está aqui, e é a do seu silêncio. Força de absorção e de neutralização, desde já superior a todas as que se exercem sobre elas. Força de inércia especifica, cuja eficácia é diferente da de todos os esquemas de produção, de irradiação e de expansão sobre os quais funciona nosso imaginário, incluindo a vontade de destruí-los.”
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Jean Baudrillard, em À sombra das maiorias silenciosas: o fim do social e o surgimento das massas.
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Sabem como é: teimo em fazer minhas as palavras de Gramsci:
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“É preciso combinar o pessimismo da razão com o otimismo da vontade”.

Saibam!

Março 30, 2008 by framos
Fico impressionado com o Arnaldo Antunes. Como uma das piores vozes do Brasil pode ser tão maravilhoso músico-poeta, inclusive cantando?
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Na música Saiba, ele aborda a condição humana de forma inteligente, profunda e extremamente simples. As rimas diretas exibem a igualdade inata de indivíduos tão díspares entre si como Nietzsche, Simone de Beauvoir e Fernandinho Beira-Mar, o que não os impedem de construirem trajetórias que os distanciem durante suas existências singulares - abstraindo-se, claro, o anacronismo proposital do autor. No entanto, a dignidade - tão orgulhosamente defendida pelos que supostamente a detém nos meios mais elevados da sociedade - é extremamente efêmera. “Saiba: todo mundo vai morrer!” No fim das contas, podemos pensar naquilo que Schopenhauer chamava de “angústia”: a criança que fomos, o medo que sentimos, aquilo que nos tornamos - a máscara que gruda na cara - sem ter total controle ou mesmo consciência. Sim, “todo mundo foi neném”. E o que a sociedade fez de nós? Ou, pensando como Sartre, o que fizemos de nós mesmos? “Eu e você”. Oh, Maggie, what have we done? - como cantava o Pink Floyd…
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Aqui vocês podem ler a letra da música poesia.