Quando a política empolga

Maio 8, 2008 by framos

Muito bom perceber que, a despeito de sua crise de representação, a política institucional ainda pode nos dar alguns momentos de satisfação.

O senador José Agripino Maia (DEM) provocou de forma leviana e recebeu uma belíssima resposta da ministra Dilma Roussef. Vale a pena ver e ouvir várias vezes.

Advogado do Diabo: há exageros de parte à parte

Maio 5, 2008 by framos

O professor Antonio Natalino Dantas, que afirmou que baiano tem QI baixo, renunciou ao cargo de coordenador do colegiado do curso de Medicina da UFBA, lançando nota pública na qual se diz envergonhado, arrependido e mal-interpretado. Os movimentos sociais e mesmo manifestações individuais foram fulminantes. Exigem a expulsão, execração, enxotamento etc do professor. Natalino foi estúpido, conforme já opinei aqui. Mas foi linchado pela mídia local e mesmo nacional, autuado pelo Ministério Público, renunciou ao cargo de coordenador, sofreu adverências oficiais da UFBA e da Faculdade de Medicina e lançou uma carta na qual a vergonha é a tônica. Ademais os movimentos sociais já mostraram sua cara e deram seu recado. O que mais se pode exigir? O esquartejamento e a exibição em postes das partes do seu corpo? Deixemos - fiscalizando, é claro - a Justiça averiguar se medidas penais ou cíveis são cabíveis.

Na democracia, mesmo que formal, como a brasileira, os cidadãos têm o direito à livre expressão. Como afirmou o ministro do STF Carlos Ayres de Britto, a liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade. Mas quando os indivíduos ou grupos ultrapassam os limites do bom senso no usufruto desse direito e caem no preconceito/racismo a democracia tem que punir. Mas punição desmedida, nos ensinou o pensador francês Michel Foucault, só serve para alimentar a barbárie. Uma punição proporcional serve não apenas apenas para punir o infrator, mas sobretudo para educar os demais cidadãos através do exemplo.

O desastre da Revolução Cultural na China já demonstrou que justiça sumária nas supostas mãos “do povo” leva à injustiça e ao abuso. Temos que equilibrar a ação institucional com a ação social. Os movimentos sociais devem, desse modo, medir palavras e ações na execução de sua justíssima luta. E focar no X da questão, que não é o comportamento ou a fala de um indivíduo isolado, mas o arraigado e atávico preconceito numa sociedade dita bastião da “democracia racial”, do qual o comportamento do professor é apenas um dos muitos exemplos, mas que tomou eco por seu portador ser uma figura pública. A questão, contudo, é estrutural e os movimentos sociais devem aproveitar a oportunidade para educar a sociedade e não para saciar uma recôndita sede de sangue. O grande problema é a reprodução do pensameto (e ação) racista/preconceituoso no mundo da vida cotidiana, reproduzindo, dessa forma, de modo imperceptível ou silencioso a estrutura excludente da nossa sociedade. O sangue derramado de um bode expiatório sacia a indignação acumulada e reprimida, mas não resolve o problema. Ademais, bodes expiatórios são ótimos para a elite: vão-se os anéis, mas os dedos ficam intactos.

Para continuar na polêmica, a realidade é como o berimbau: aparenta ser simples, mas ultrapassa todos os maniqueísmos e demonstra, em um nível mais profundo, sua complexidade.

Pós-modernidade e(m) moda

Maio 2, 2008 by framos

Eis que este singelo blog entrou na lista dos que mais ganharam popularidade recentemente.

Além do mais, tem um dos posts na lista dos Top Posts.

Obrigado a todos aqueles que frequentam estas pairagens pós-modernas.

Dia do Trabalhador ou dia de trabalho?

Maio 1, 2008 by framos

A prostituição da CUT já é evidente. Sua relação simbiótica com o governo Lula levou este à nomear Ministro do Trabalho um presidente da Central. Não é questão de “se hay gobierno, soy contra”, mas é que as ações do governo Lula na área do trabalho são pautadas por divergências entre os interesses dos trabalhadores e os dos patrões. O mínimo que se espera de uma Central com a história da CUT é a defesa intransigente de sua classe, e não a conciliação em defesa do governo. É claro que o mundo mudou e não estamos mais na época moderna da centralidade do trabalho, mas na era pós-moderna de centralidade do consumo. Isso implica enfraquecimento das mobilizações classistas e trabalhistas. Mas ainda se pode ver Workers’ Day (ou Labor Day) combativo ao redor do mundo. No Brasil e na Bahia, a CUT transformou um dia de combate em um dia de espetáculo - festas que entretém e não lutas que ampliam ou garantem direitos e educam os cidadãos. Venceu o modelo pelego criado pela Força Sindical.

Enquanto a CUT de luta dorme um sono profundo, os trabalhadores estão bem acordados, trabalhando domingos e feriados, até mesmo no dia que antigamente era o seu dia.

Baiano tem QI baixo, segundo professor - baiano! - da UFBA

Maio 1, 2008 by framos

Sim. Um professor da UFBA foi estúpido o suficiente para fazer uma declaração dessas. É só ver aqui.

A pós-modernidade facilita o retorno de concepções retrógradas como os determinismos geográfico e biológico. O mau desempenho dos estudantes de Medicina no Enade podem ser atribuídos a diversos fatores: a) boicote estudantil, b) más condições de ensino, c) professores incompetentes, como o próprio que fez esta declaração, dentre outros.

Interessante a nota pública emitida conjuntamente pelo Reitor da UFBA, Naomar de Almeida, e pelo diretor da Faculdade de Medicina, José Tavares Neto.

Já estão falando até em fazer protesto. Discordo. A postura irônica de Tom Zé é melhor.

A Marcha da Maconha e os direitos democráticos

Maio 1, 2008 by framos

Impressionou-me a decisão judicial, amplamente coberta pela mídia local, a pedido do Ministério Público, de proibir a realização da Marcha da Maconha em Salvador. A dita marcha acontecerá em 235 cidades do mundo no mesmo dia, domingo, 04/05. Cada comitê local de organização atua dentro das leis do país no qual se encontra, pois o objetivo da marcha não é criar tumultos com o Poder, mas levantar uma discussão escamoteada pela sociedade e pelos três poderes, fugindo do senso comum e do preconceito. Para se ter idéia, os organizadores redigiram um manual de como se portar durante a marcha, proibindo a presença de menores e o porte ou uso da erva durante a caminhada. O evento poderia se transformar numa celebração da democracia, mas se transformou no desmascaramento da democracia legalista e a-histórica. A democracia deve ser entendida não apenas como direitos já garantidos, mas, como na concepção do pensador italiano Norberto Bobbio, no direito de ter direitos, o que abre-a para a luta dos atores sociais e uma a concepção dinâmica ao invés de estática. A ordem democrática se diferencia da ordem autoritária justamente porque permite um espaço para a ordem ir além da ordem, incluindo novos atores, garantindo novos direitos, excluindo antigos deveres, enfim, modificando a estrutura legal a partir de novas estruturas normativas socialmente compartilhadas. Enquanto a ordem autoritária implica conservação, a ordem democrática deve implicar a possibilidade da mudança.

Dezenas de publicações nacionais, como a Superinteressante, por exemplo, já trouxeram a questão da legalização do uso da maconha e sabe-se que há milhares de usuários no Brasil. Ora, mais do que repressão bruta, o Estado e a ordem social a partir da modernidade são feitas com persuasão e hegemonia. A democracia deve ser um campo onde todos podem levantar questões, quaisquer que sejam. Ainda mais quando a questão se torna candente na sociedade.

Ademais, o argumento do Ministério Público é infeliz: “pode haver traficantes por trás da organização da marcha”. Ora, traficante quer legalizar as drogas desde quando? Ademais, há dezenas de figuras públicas na organização, como o antropólogo e professor Doutor da UFBA, Edward MacRae. A UFBA, aliás, tem sediado dezenas de eventos democráticos, não apologéticos, sobre o tema.

Bem, esperaremos ainda um bom tempo pelo amadurecimento da democracia provinciana de Salvador. Só lembrando que, em São Paulo, um juiz rejeitou ação semelhante do Ministério Público.

E com este post, eu também posso entrar na lista dos investigados da Justiça (sic) baiana. Isso se não for obrigado a tirá-lo da rede.

Canto como canta o Chico Buarque com o Miltom Nascimento: “pai, afasta de mim esse cálice (cale-se)”.

Rompendo o silêncio

Abril 29, 2008 by framos

Claro que eu tinha que falar sobre o caso Isabela. A pauta dos assuntos a serem discutidos no espaço público é determinada pelo jogo midiático. No entanto, meu silêncio, quebrado por este post, não foi por acaso. Recusei-me o quanto pude a fazer parte deste espetáculo (e não falo do debordiano, mas do circense mesmo). Isso porque tocar no assunto é lhe fazer eco. Agora entendo bem a postura de Marilena Chauí, que recusou-se à falar com a mídia. É a única forma de estar fora do seu alcance. Criticá-la é reconhecer seu poder inelutável. Ademais, como disse em post anterior, já não existem ouvidos para escutar os outsiders. Ou há, na verdade. Mas são ouvidos já mercantlizados. Os próprios outsiders já são insiders.

Navegando na internet, como estou agora, encontrei a opinião do jornalista, professor e ex-deputado Emiliano José. Concordei com o essencial. Discordei apenas quando ele afirma:

O que interessa é aquela criança morta – branca, de classe média. “Que pauta!” – gritará logo o chefe de reportagem. “Vamos colocar todo o reportariado em cima da menina morta”. “Vamos fungar no cangote deles!” “E seguiremos até quando sobrar fôlego, e quanto mais demorar para chegar a conclusões mais definitivas, tanto melhor”.

Na verdade, caro Emiliano, o espetáculo não pode ser encenado indefinidamente. Ele precisa se renovar constantemente, seguindo a mesma lógica da descartabilidade e da obsolescência programada das mercadorias da nossa sociedade de consumo. As pessoas cansam, ficam com enfado. A menina Isabela já deu o que tinha de dar para a mídia. Daí a culpa decretada não pelo juiz, mas pela imprensa. Porque a novela tem que ser encerrada em grande estilo, com um final arrebatador, para que o espectador pense que valeu a pena o valor do ingresso - sua consciência cedida aos “formadores de opinião”. O ritmo da Justiça é outro, ainda mais na lentidão da burocracia brasileira. O ritmo da mercadoria e das trocas mercantis sob o capitalismo é sempre alucinante. Atualmente, contudo, a mercadoria somos nós mesmos. No caso da mídia, somos tomados no varejo. Foi a vez de Isabela.

Fica uma certeza. A de que não veremos tão cedo a vez de meninos e meninas pobres - não raro, negros - maltratados todos os dias pelo imenso Brasil encontrarem o mesmo tratamento pela mídia. Estes, mais do que os contraculturais, são outsiders. Das benesses do sistema, deixemos claro. Afinal, eles são grande parte do público de massa que assiste a todo o espetáculo lá da fileira Z.

Situando a pós-modernidade

Abril 28, 2008 by framos

Algumas pessoas têm dificuldades em comer pelas beiradas. Assim, tecem críticas à maneira pulverizada com a qual este blog trata seu tema central: a pós-modernidade. Na verdade, tento mostrar que a pós-modernidade é um período de hiper-complexificação da sociedade. A pulverização do blog não é casual. Pode-se encontrar, inclusive, posts à esquerda e outros mais conservadores. Não há mais identificação necessária e total com um dos - supostos - dois únicos pólos do espectro político. Questionam: mas do que se trata mesmo isso? O que é pós-modernidade, enfim?

Busquei em minha monografia o modo como, então, tratei a questão. Adaptei alguns trechos que seguem abaixo.

Vive-se hoje em uma época que, devido à sua ambivalência, é quase sempre caracterizada como pós-algo: pós-moderna, pós-industrial, pós-ideologia, pós-política e até pós-tudo. Outra alternativa é fazer referência ao passado para caracterizar uma nova fase do presente: assim, após uma fase de modernidade clássica estaríamos hoje em uma modernidade reflexiva, alta modernidade, segunda modernidade, modernidade líquida, supermodernidade, hipermodernidade, etc. O que todas estas denominações têm em comum, a despeito de suas grandes variações teóricas e epistemológicas, é o fato de concordarem em um aspecto central: vive-se uma nova realidade. Na perspectiva aqui considerada, observa-se a pós-modernidade como um problemático conceito guarda-chuva, sob o qual as abordagens acima mencionadas mal se equilibram das convulsões da atual conformação do capitalismo sem fronteiras e que coloca em xeque constantemente o Estado-nação e a política institucionalizada das entidades da modernidade. Mas afirmar a validade do termo pós-modernidade implica dizer que a modernidade foi completamente superada?

A pós-modernidade refere-se ao não cumprimento de promessas da modernidade (igualdade, solidariedade) e à impossibilidade de cumprimento no âmbito deste paradigma aliado ao excesso de cumprimento de algumas promessas (liberdade do mercado e do indivíduo). Vejam o que nos diz o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos:

“O paradigma cultural da modernidade constituiu-se antes de o modo de produção capitalista se ter tornado dominante e extinguir-se-á antes de este último deixar de ser dominante. A sua extinção é complexa porque é em parte um processo de superação e em parte um processo de obsolescência. É superação na medida em que a modernidade cumpriu algumas das suas promessas e, de resto, cumpriu-as em excesso. É obsolescência na medida em que a modernidade está irremediavelmente incapacitada de cumprir outras das suas promessas. Tanto o excesso no cumprimento de algumas promessas como o déficit no cumprimento de outras são responsáveis pela situação presente, que se apresenta superficialmente como de vazio ou de crise, mas que é, a nível mais profundo, uma situação de transição. Como todas as transições são simultaneamente semicegas e semi-invisíveis, não é possível nomear adequadamente a presente situação. Por esta razão lhe tem sido dado o nome inadequado de pós-modernidade. Mas à falta de melhor, é um nome autêntico na sua inadequação.”

Assim, o horizonte demasiadamente extenso da modernidade, conforme seu projeto original conformado de Descartes à Kant, trazia em si a semente do seu déficit. Por um lado, a idéia moderna de igualdade ligava-se à necessidade da regulação máxima. Por outro, a idéia de liberdade ensejava o máximo de emancipação. De fato, a luta entre emancipação e regulação foi a tônica da modernidade.

Hoje, a idéia moderna da racionalidade total acabou por se desintegrar numa miríade de mini-racionalidades a serviço de uma irracionalidade global. Irracionalidade global, nesse sentido, não significa ausência da razão, mas, sim, ausência de uma metanarrativa (progresso, ciência, socialismo, etc.) que unifique a pluralidade de racionalidades. Assim, encontramo-nos em um presente hiper-complexo e inefável em sua totalidade. O pensador David Harvey também contribui acerca da definição do termo pós-modernidade ao dizer que trata-se de uma estrutura específica do sentimento e do espaço-tempo contemporâneos. Assim, afeta tanto a macro-estrutura quanto a vida cotidiana. Se por um lado, a modernidade era a lógica cultural do capitalismo, a pós-modernidade nada mais é do que a lógica cultural do capitalismo tardio, como trata o Frederic Jameson.

Serão cinco posts sobre o assunto. No próximo tratarei de diferenciar pós-modernismo e pós-modernidade. Na sequência, sairei da abstração e abordarei o que a pós-modernidade tem a ver com a vida real dos indivíduos. Em um quarto post, tratarei das assimetrias da pós-modernidade (as variações entre as diferentes regiões do globo, entre as classes sociais, entre as etnias, etc). O último post da série tratará da condição política pós-moderna. Claro que estes posts serão intercalados por outros, tratando de temas variados. Senão ninguém aguenta, né?

…!

Abril 25, 2008 by framos

A falta de assunto aliada à falta de tempo são os dois maiores problemas enfrentados pelos blogueiros. Tenho sofrido dos dois. Tempo, não tenho tido mesmo. Ando atolado de textos atrasados para ler para a pós-graduação, tenho estudado para diversos concursos, estou organizando um evento etc e tal. A falta de assunto é muito mais complexa. Na verdade, trata-se de certo desgosto pelo ato da fala, um suave desprezo à ação comunicativa. Os assuntos, na realidade, são muitos. Pouca é a vontade de iniciar uma conversa. Mas qual o motivo desse cochilo da vontade? Talvez o despertar de uma outra vontade, como a de escutar o silêncio? Não acredito nessa hipótese. O silêncio em um contexto de infinitos temas a serem discutidos é, na verdade, em meu caso, um protesto contra a surdez. A conversa, agora, é como a de um mudo para um surdo. Eis a mais bela relação comunicativa que posso imaginar na pós-modernidade: egos mudos e massas surdas.

“Quero lançar um grito desumano, que é uma maneira de ser escutado”. Chico Buarque, em Cálice.

Nova novela do dia todo

Abril 21, 2008 by framos

Vocês têm assistido a novela “Quem jogou a criança pela janela?”?

Eu, não. É muito monotemática e tem poucos atores. Aguinaldo Silva é melhor que isso.

A vida imita a arte ou a arte imita a vida?

Abril 20, 2008 by framos

Maio de 68 - Evento imperdível!

Abril 20, 2008 by framos

O Labmundo (Laboratório de Análise Política Mundial) – grupo de pesquisa da UFBA na área de Relações Internacionais, coordenado pelo prof. Dr. Carlos R. S. Milani e pela profª. Drª. Ruthy Nadia Laniado – promove entre os dias 06 e 14 de maio uma discussão historiograficamente diferenciada e multidisciplinar acerca do contexto de contestação da década de 60. Multidisciplinar porque acredita que fenômenos desta importância política devem ser entendidos em sua complexidade, adotando perspectivas que colocam em diálogo a ciência política e a história, a sociologia, a economia etc. Historiograficamente diferenciada porque, na perspectiva historiográfica de Eric Hobsbawn, abandona o senso comum acerca do significado de Maio de 68 a fim de problematizá-lo e ressignificá-lo. Assim, o presente evento entende o Maio de 68 não apenas como os acontecimentos parisienses – que, definitivamente, entraram para a história de conhecimento geral –, mas expande-o para os acontecimentos em diversas partes do mundo que abalaram o status quo político, social e cultural, não apenas da estrutura e ordem capitalistas, mas também do que, à época, se considerava o modelo de contestação, ou seja, as experiências do socialismo real e o ideal revolucionário de tomada do poder por meio da luta armada. Desse modo, o Maio de 68 é a parte mais conhecida e, quiçá, mais emblemática, de um processo histórico muito mais amplo que se iniciou antes de 68 e terminou bem depois. O evento proposto, então, objetiva discutir as diversas faces do processo histórico em tela: a Primavera de Praga, os movimentos pacifistas contra a Guerra do Vietnã, o movimento dos direitos civis dos negros norte-americanos, a queima de sutiãs pelas mulheres, o levante estudantil em Paris, o movimento hippie, a reação contra os estudantes no Zócalo na Cidade do México, bem como os contextos particulares, como no caso do Brasil, marcado pela recrudescência de uma ditadura militar através da edição do AI-5.

Nesse sentido, a questão que ora se levanta é entender a atmosfera social ampla, aquilo que Max Weber chamaria de ethos de uma época. O que distancia e o que aproxima as diferentes expressões de uma época marcada pela turbulência e pela irreverência perante os modelos rígidos da política (capitalista ou socialista)?

Ademais, o evento se encontra na confluência de diversas discussões que serão travadas em todo o mundo acerca dos 40 anos do maio de 68 francês. Nossa idéia foi ampliar esse entendimento limitado e eurocêntrico de duas formas: a) adotando a nomenclatura “maio de 68″, mas ampliando o escopo de análise para acontecimentos históricos ocorridos em outras partes do mundo e, b) incluindo as reações do establishment ao contexto, como no já citado caso da edição do AI-5 no Brasil.

Por fim, ligando-se aos estudos da política internacional, o evento transcende a década de 60 e busca compreender seus desdobramentos até os dias atuais a partir de alguns questionamentos centrais. Quais são os efeitos do declínio do imaginário utópico socialista para a ordem política e que implicações esse fenômeno traz para o mundo da vida cotidiana dos atores? Quais os contornos da nova ordem mundial contemporânea? Como se apresenta a contestação após o fim da bipolaridade? E, ainda, quais os possíveis rumos do pensamento crítico em um contexto de hegemonia do pensamento neoliberal?

Cliquem na imagem abaixo para visualizar a programação atualizada e final do evento.

Cliquem também aqui e aqui.

NOTA: A oficina com Pronzato será realizada às 15h. Ceteris paribus, ou seja, tudo o mais permanece constante, como gostam de dizer os economistas.